Dona de casa vítima de escalpelamento ganha peruca em ação da Marinha em Melgaço, no Marajó

Marinha leva serviços de saúde e cidadania à população de Melgaço, no Marajó (PA) Dona Maria de Fátima Laranjeiras, ribeirinha, teve o couro cabeludo arrancado pelo eixo do motor de…

Marinha leva serviços de saúde e cidadania à população de Melgaço, no Marajó (PA)
Dona Maria de Fátima Laranjeiras, ribeirinha, teve o couro cabeludo arrancado pelo eixo do motor de uma embarcação há cerca de 10 anos e foi surpreendida com a doação de uma peruca durante a Ação Cívico-Social da Marinha em Melgaço, no arquipélago do Marajó, no Pará. Ela tinha ido ao local para atualizar a identidade e a carteira de trabalho.
A iniciativa levou serviços de saúde, emissão de documentos e orientações de prevenção ao escalpelamento para a população do município que tem o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil.
O navio da Marinha ancorado em Melgaço se transformou em posto de saúde, cartório e ponto de cidadania, e foi ali que dona Maria recebeu a peruca que vinha esperando havia anos.
Segundo ela, a notícia de que a embarcação estava na cidade chegou por meio do neto, que mora no município e avisou sobre os atendimentos. “Meu neto que mora aqui mandou pra mim, ele falou: ‘o navio tá aqui em Melgaço, amanhã vem, vó’”, contou a ribeirinha ao chegar para a ação.
Para conseguir chegar até o navio, ela precisou da ajuda da família, que “juntou uma gasolina” para levá-la de barco até o terminal hidroviário, ponto de acesso à estrutura montada pela Marinha.
Emocionada ao receber a peruca, dona Maria agradeceu pela doação e destacou que o benefício não é só para ela.
“Eu agradeço muito a Deus fazerem isso, não só pra mim, mas pra toda a população, porque todo mundo precisa”, afirmou.
Escalpelamento ainda marca ribeirinhas do Marajó
Durante a Ação Cívico-Social, equipes também orientaram moradores sobre a prevenção do escalpelamento, acidente ainda recorrente em comunidades ribeirinhas do estado, provocado pelo contato do cabelo com o eixo exposto de motores de embarcações.
Foi esse tipo de acidente que arrancou o couro cabeludo de dona Maria há cerca de uma década, deixando marcas físicas e emocionais. A doação da peruca representa um passo importante para a autoestima da moradora, que convive há anos com as consequências do escalpelamento.
Além das orientações, a estrutura montada no navio oferece outros atendimentos de saúde, o que garante acompanhamento médico a pessoas que sofreram esse tipo de trauma e vivem longe de centros urbanos.
Para muitas dessas mulheres, a presença da embarcação significa a primeira vez em que exames e consultas chegam tão perto de casa, sem a necessidade de longas viagens de barco.
Ação leva serviços ao Marajó
A viagem até Melgaço leva cerca de 1 hora e meia de helicóptero da Marinha a partir de Belém, o que ilustra a distância e a dificuldade de acesso ao município paraense.
No meio do rio, o navio da Marinha virou um grande posto de atendimento, reunindo consultas com clínicos e especialistas, exames laboratoriais, mamografias, testes rápidos e emissão de diversos documentos.
A escolha de Melgaço para receber a ação levou em conta o cenário de vulnerabilidade e a dificuldade da população em acessar postos de saúde, cartórios e serviços da Justiça.
Antes de chegar a Melgaço, a ação já tinha passado por Oeiras do Pará e Breves e, depois do atendimento no município, segue para Portel, também no arquipélago do Marajó.
A estimativa da Marinha é atender de 8 a 10 mil pessoas nessas quatro cidades nesta primeira etapa, que faz parte de um cronograma de quatro ações ao longo do ano, alcançando de 20 a 30 mil moradores de comunidades ribeirinhas.
Operação no navio
No terminal hidroviário de Melgaço, a jornada começa com uma triagem, onde os casos mais urgentes de saúde são encaminhados diretamente para o interior da embarcação.
Pelo convés e pelos corredores, a fila de atendimentos forma uma espécie de “corredor de oportunidade” para quem aguarda consultas médicas, exames e documentos.
No interior do navio, muitas mulheres aguardavam a vez para realizar mamografias, exame que, em muitos casos, nunca tinha estado tão perto da casa delas.
Uma ONG que atua na ação entregou laudos às pacientes e, se houver necessidade de outros exames, como ultrassom, histopatológico ou imuno-histoquímico, a própria organização custeia os procedimentos para entregar a mulher ao centro de referência já com toda a investigação feita.​
De acordo com a Marinha, o trabalho exige planejamento conjunto com prefeituras, Ministério Público e outros órgãos para garantir que todos os serviços estejam disponíveis ao mesmo tempo, com muitas mãos de voluntários.


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📍 Fonte: G1
🕒 Publicado em: março 5, 2026 à23 3:34 pm

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